Rentabilidade é o raio X das companhias

Data Original: 11/04/2002
Postado em: 15 de dezembro de 2016 por: Reginaldo Alexandre
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Reportagens - Valor Econômico

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A rentabilidade sobre o patrimônio líquido das empresas é mais uma ferramenta importante que mostra para os investidores como a empresa tem se comportado no segmento em que atua e no mercado como um todo.

Na avaliação de alguns especialistas, esse indicador na verdade é uma espécie de raio X, que revela se a empresa teve uma gestão eficiente que conseguiu gerar bons retornos.

De acordo com o gerente de análise de investimentos da Sudameris Corretora, Marcos Severine, apesar de ser uma boa base para analisar o desempenho de uma empresa, o indicador não deve ser avaliado isoladamente.

“Isso porque esse resultado pode não se repetir devido a uma série de fatores, afetando o desempenho futuro da empresa, prejudicando a expectativa de retorno de algumas pessoas”, diz.

Para Severine, o histórico com o comportamento das ações de uma empresa, a avaliação dos múltiplos e indicadores contábeis, uma análise fundamentalista, além do retorno sobre o patrimônio líquido são as ferramentas utilizadas para projetar futuros cenários de uma empresa.

Reginaldo Alexandre, chefe de análise da Itaú Corretora, acredita que o destaque para as empresas brasileiras, em comparação com suas grandes concorrentes internacionais, como mostra o levantamento da Economática, dá mais tranqüilidade aos investidores.

“Esses números mostram como as empresas brasileiras são competitivas, em um cenário global, em setores de grande peso na economia”, diz.

O analista do Itaú cita como exemplo o setor siderúrgico. De acordo com ele, as empresas brasileiras são mais competitivas porque conseguem produzir com alta qualidade e baixo custo operacional, tendo penetração em grandes mercados mundiais como os Estados Unidos.

No levantamento da Economática, além da Gerdau, que lidera a lista de melhores rentabilidades sobre o patrimônio líquido no setor siderúrgico, estão a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Outro ponto favorável levantado pelos analistas é o fato de que muitas das empresas que aparecem em destaque na pesquisa da Economática têm ADRs listados na Bolsa de Valores de Nova York, e praticam uma política de maior respeito e transparência com os acionistas minoritários.

Dentre essas companhias estão a Petrobras que recentemente alterou seu estatuto para poder aderir ao Nível 2 de Governança Corporativa da Bovespa, além de Gerdau, Itaú, Bradesco que estão listadas no Nível 1.

No setor de telecomunicações, responsável por 36,6% da atual composição do índice da bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) o melhor resultado entre as empresas brasileiras foi da Telesp Operacional, que registrou 10,7% de rentabilidade sobre o patrimônio líquido, e ficou com o oitavo lugar no levantamento da Economática.

A melhor rentabilidade sobre o patrimônio nesse setor em 2001 foi de 46,3%, registrado pela companhia mexicana Telefonos de Mexico.

No setor elétrico – outro importante segmento com 14,1% de participação na carteira teórica do Ibovespa – os melhores resultados de empresas brasileiras foram obtidos pela Tractebel, que ficou com o terceira melhor colocação em 2001 e obteve 19,8% de rentabilidade sobre o patrimônio líquido, seguida pela Eletropaulo Metropolitana com 19,1%.

A companhia norte-americana Edison Intl obteve o melhor retorno sobre o patrimônio líquido em 2001, de 31,6%, em comparação com as demais concorrentes nos Estados Unidos e América Latina.

A Ambev, apesar de não ter obtido o melhor resultado entre as empresas de bebidas (registrou 23,3% de rentabilidade sobre patrimônio líquido), perdeu apenas para as gigantes norte-americanas PepsiCo Inc, Coca-Cola e Anheuser Busch que obteve o melhor resultado com 42%.

Participaram da pesquisa elaborada pela Economática apenas empresas com patrimônio líquido acima de US$ 1 bilhão. O universo das empresas norte-americanas citadas no estudo da inclui apenas as companhias que estão listadas no índice S&P500. Todos os valores foram obtidos com base em balanços consolidados, em um período de 12 meses encerrado em dezembro de 2001. (Por Ilton Caldeira)

Sobre

Economista, com vinte anos de experiência na área de análise de investimentos, como analista, coordenador, organizador e diretor de equipes de análise, tendo ocupado essas posições, sucessivamente, no Citibank, Unibanco, BBA/Paribas, BBA (atual Itaú-BBA) e Itaú Corretora de Valores. Atuou ainda como analista de crédito corporativo (Citibank) e como consultor nas áreas de estratégia (Accenture) e de corporate finance (Deloitte). Hoje, atua na ProxyCon Consultoria Empresarial, empresa que se dedica às atividades de assessoria e prestação de serviços nas áreas de mercado de capitais, finanças e governança corporativa.

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