Seria o alargamento de prazo de divulgação de demonstrações financeiras o melhor caminho para reduzir a volatilidade e a especulação sobre o preço de ações, como sugerido recentemente pelo presidente Trump?
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez veemente manifestação em favor do aumento do intervalo – atualmente trimestral – de publicação de demonstrações financeiras de companhias de capital aberto. Isso, com objetivo de reduzir a volatilidade e a especulação sobre o preço de ações de empresas listadas nas bolsas de valores.
Pois existem evidências, no mercado brasileiro, de que exatamente o OPOSTO é que funciona.
Anos atrás, quando isso ainda era possível, duas companhias brasileiras de capital aberto – Copene (atual Braskem) e Vale – tomaram a iniciativa ousada de publicar resultados mensalmente, sempre com o cuidado de ressalvar que os resultados parciais publicados, não auditados, poderiam ser revisados posteriormente, inclusive por intervenção dos auditores independentes.
Qual a consequência disso? A volatilidade e a especulação com o preço das ações das empresas citadas diminuíram drasticamente, pois restavam poucas dúvidas – com a divulgação dos resultados mês a mês – sobre qual seria o lucro ou prejuízo do trimestre, a serem divulgados no momento seguinte.
De alguma maneira, isso já acontece hoje com bancos, seguradoras e resseguradoras, cujos resultados mensais – por exigência da regulação – já podem ser acessados via Banco Central e Susep, respectivamente.
A solução para o problema, portanto, TALVEZ repouse no contrário do que está sendo sugerido com tanta ênfase.