A rentabilidade sobre o patrimônio líquido das empresas é mais uma ferramenta importante que mostra para os investidores como a empresa tem se comportado no segmento em que atua e no mercado como um todo.
Na avaliação de alguns especialistas, esse indicador na verdade é uma espécie de raio X, que revela se a empresa teve uma gestão eficiente que conseguiu gerar bons retornos.
De acordo com o gerente de análise de investimentos da Sudameris Corretora, Marcos Severine, apesar de ser uma boa base para analisar o desempenho de uma empresa, o indicador não deve ser avaliado isoladamente.
“Isso porque esse resultado pode não se repetir devido a uma série de fatores, afetando o desempenho futuro da empresa, prejudicando a expectativa de retorno de algumas pessoas”, diz.
Para Severine, o histórico com o comportamento das ações de uma empresa, a avaliação dos múltiplos e indicadores contábeis, uma análise fundamentalista, além do retorno sobre o patrimônio líquido são as ferramentas utilizadas para projetar futuros cenários de uma empresa.
Reginaldo Alexandre, chefe de análise da Itaú Corretora, acredita que o destaque para as empresas brasileiras, em comparação com suas grandes concorrentes internacionais, como mostra o levantamento da Economática, dá mais tranqüilidade aos investidores.
“Esses números mostram como as empresas brasileiras são competitivas, em um cenário global, em setores de grande peso na economia”, diz.
O analista do Itaú cita como exemplo o setor siderúrgico. De acordo com ele, as empresas brasileiras são mais competitivas porque conseguem produzir com alta qualidade e baixo custo operacional, tendo penetração em grandes mercados mundiais como os Estados Unidos.
No levantamento da Economática, além da Gerdau, que lidera a lista de melhores rentabilidades sobre o patrimônio líquido no setor siderúrgico, estão a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Outro ponto favorável levantado pelos analistas é o fato de que muitas das empresas que aparecem em destaque na pesquisa da Economática têm ADRs listados na Bolsa de Valores de Nova York, e praticam uma política de maior respeito e transparência com os acionistas minoritários.
Dentre essas companhias estão a Petrobras que recentemente alterou seu estatuto para poder aderir ao Nível 2 de Governança Corporativa da Bovespa, além de Gerdau, Itaú, Bradesco que estão listadas no Nível 1.
No setor de telecomunicações, responsável por 36,6% da atual composição do índice da bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) o melhor resultado entre as empresas brasileiras foi da Telesp Operacional, que registrou 10,7% de rentabilidade sobre o patrimônio líquido, e ficou com o oitavo lugar no levantamento da Economática.
A melhor rentabilidade sobre o patrimônio nesse setor em 2001 foi de 46,3%, registrado pela companhia mexicana Telefonos de Mexico.
No setor elétrico – outro importante segmento com 14,1% de participação na carteira teórica do Ibovespa – os melhores resultados de empresas brasileiras foram obtidos pela Tractebel, que ficou com o terceira melhor colocação em 2001 e obteve 19,8% de rentabilidade sobre o patrimônio líquido, seguida pela Eletropaulo Metropolitana com 19,1%.
A companhia norte-americana Edison Intl obteve o melhor retorno sobre o patrimônio líquido em 2001, de 31,6%, em comparação com as demais concorrentes nos Estados Unidos e América Latina.
A Ambev, apesar de não ter obtido o melhor resultado entre as empresas de bebidas (registrou 23,3% de rentabilidade sobre patrimônio líquido), perdeu apenas para as gigantes norte-americanas PepsiCo Inc, Coca-Cola e Anheuser Busch que obteve o melhor resultado com 42%.
Participaram da pesquisa elaborada pela Economática apenas empresas com patrimônio líquido acima de US$ 1 bilhão. O universo das empresas norte-americanas citadas no estudo da inclui apenas as companhias que estão listadas no índice S&P500. Todos os valores foram obtidos com base em balanços consolidados, em um período de 12 meses encerrado em dezembro de 2001. (Por Ilton Caldeira)